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Thursday, January 10, 2008

David Lynch perde

7:30 da noite, Microsoft. A preguiça é maior q a vontade de preservar o ambiente, em todo caso resolvo pegar uma carona com o Thiago.

Dez minutos depois eu estava no meio de uma SR-520 interditada, e estava a pé. Um engavetamento de 10 carros acontecera 2 minutos antes e o carro do Thiago fez o favor de participar do bolo.

Nenhum dos passageiros teve um arranhao sequer, o q me fez ver a primeira situação peculiar naquela noite de tempo claro. Tempo claro? Sim, por incrível q pareça naquele dia nao choveu.

Enquanto estava dentro do carro, os envolvidos apareciam aos poucos na janela perguntando se estava tudo bem. Depois de sair pelo lado do motorista finalmente vi a cena em q me envolvi. 10 carros jogados um pra cada lado, todos com alguns pedaços faltando, uma highway no horario de rush com as 3 pistas interditadas e um frio agradável de 7 graus.

Com a adrenalina voltando ao nível normal saí pra dar uma volta enquanto o Thiago falava com o seguro. Tentando reconstituir a cena só conseguia entender q nosso Mazda tinha encarado de frente um Hyundai vermelho. Do nosso lado um Volkswagen com a frente e lateral totalmente destruídos. Bem mais a frente um Miata detonado seguido de um Hummer grudado em um carro irreconhecível. O resto dos envolvidos faziam apenas figuração com meras lanternas quebradas.

Enquanto a polícia nao aparecia as pessoas iam aos poucos, cada um de sua maneira, se conhecendo. O estilista de boina e luvas q mais pareciam a meia da Bruxa do Oeste pedia sem ser atendido os dados do alto jovem forte de moletom da Universidade de Washington. Ao lado de seu Hummer levemente arranhado, o jovem se preocupava mais em arranjar um jeito de aquecer a pobre menina indefesa q viu seu carro espatifar a lateral no guard rail. Uma mulher grávida de 8 meses procurava algum lugar para sentar enquanto um alto executivo pedia através de um microfone bluetooth à sua secretária, para entrar em contato com sua esposa. Um pastor agradecia aos céus por todos terem saído vivos e sem arranhões, simultaneamente um mexicano vestindo um uniforme do Subway chorava em seu canto por ter perdido o único bem q ainda lhe restava.

Quatro carros de polícia, dois caminhoes de bombeiro e duas ambulancias chegaram ao local 10 minutos depois. Enquanto três jovens policiais permaneciam com a mão sobre a arma no coldre, um policial levemente acima do peso e mais velho soltava ordens como: "06, precisamos liberar uma pista para o trânsito", "02, comece a fazer o boletim de ocorrência". Um dos policiais pediu aos envolvidos para ficarem próximos de seus carros, conseguindo assim colocar ordem no caos e controlar o assédio incessante do estilista. Nesse momento o jovem já havia conquistado a pobre loira e já avisava aos seus amigos do time q a SR-520 é um ótimo lugar pra pegar mulher.

A mulher grávida foi logo em seguida levada pela ambulância ao Seattle Grace Hospital onde, segundo a rede ABC, ela terá papel importante no relacionamento entre a Dra. Meredith Grey e o Dr. Dereck Shepherd.

Enquanto o pastor agradecia a Deus pelos bons tratos dos policiais, os mesmos policiais davam uma dura no pobre mexicano fazendo-o quase assinar um atestado de culpa pela batida. Por sorte os três caminhoes reboques surgiram e desviaram a atenção dos policiais.

Com um dos reboques se direcionando ao nosso carro eu e Thiago tivemos q esquecer os arredores e nos concentrarmos no responsável por nos guinchar. O meu inglês melhorou consideravelmente desde que cheguei aqui, e hoje sou capaz de entender inúmeros sotaques, mas admito q foi bem complicado entender aquele senhor com todo o lado esquerdo da face paralizada.

Depois de alguns whats e oks no escuro conseguimos finalmente guinchar o carro e abandonar o local do acidente. O carro do Thiago foi levado para a seguradora enquanto nós fomos abandonados num posto de gasolina na entrada de um parque florestal. Um taxi nos resgatou e voltamos a nossa vida genérica, longe de personagens bizarros e tendo a certeza do porque Twin Peaks ter sido filmado a poucas milhas de distância.

Esboço do carro do Thiago comprovando q tudo o q eu disse é verídico

PS: Contando o número de pessoas e o número de carros cheguei a conclusão q eu era o único passageiro. Isso confirma minha teoria q tirando o Al Gore, ninguém dá a mínima pro meio ambiente.

Thursday, November 8, 2007

Traição

Por favor não brigue, considere ao menos que estou aqui lhe contando a verdade com toda a minha sinceridade. Foi tudo meio sem querer, inocentemente fui caminhando para o prescipício e quando vi não dava para voltar atrás. Na hora pensei em te ligar, mandar um sms, mas não tive coragem. Pior, me aproveitei da situação e fingi ignorar a sua existência por um tempo.

Realmente não há como negar q foi bom, e se paro pra pensar não me arrependo, faria de novo sem pensar duas vezes. Eu sei q soa duro, mas acredite, é melhor saber de uma vez toda a verdade. A consciencia pesa e dói um pouco na alma, juro q não quis me vingar, até pq vc nunca fez nada q merecesse vingança, sempre foi super correta comigo. Sou culpado e assumo, se eu quisesse nós poderíamos ter passado sem essa, mas não deu pra resistir.

Estava no trabalho meio estressado quando um amigo me chamou para sair mais cedo pra refrescar a cabeça. Fugímos do trânsito e encontramos uma amiga q ele está ficando, um casal de lésbicas e outra menina. Acredite, minha traíção não tem absolutamente nada a ver com essa outra menina. A traíção, é... não há como chamar de outro nome, se deve a uma quinta menina q surgiu durante a noite. Não teve como deixar passar, linda, magrinha, baixinha de cabelos longos e retos, franjinha na testa e correndo de um lado pro outro como uma menina travessa q sabe q fez besteira.

Desculpe, mas agora q comecei a contar terei q ir até o fim, é melhor, por mais q não possa te pedir confiança num momento desse, tente acreditar. Chegamos com calma, sentamos em nossas poltronas e alguns minutos depois ela apareceu cercada de quatro marmanjos. Coitados, nem foram notados, meus olhos eram só pra ela, e não me espantaria nem um pouco em dizer q todos ali só olhavam pra ela. Resisti um pouco quando ela me disse "My poor head is aching my sad heart in breaking". Mas acabei jogando a toalha, o jeito doce de pedir desculpas falando no meu ouvido "I'm sorry. Two words I always think. After you've gone. When I realize I was acting all wrong" me fez cair de quatro.

A partir daquele momento não havia como voltar atrás, fiquei ali, despencado em minha poltrona, sem reação, tudo que ela fazia me deixava com mais cara de panaca do que eu já estava. Eu repetia o q ela dizia e sonhava para aquele momento não acabar nunca. Meus elogios lhe deixavam tímida e ela repetia como q se fosse adiantar alguma coisa "Take it slow. Take it easy on me". Eu lá destruído e ela de vez em quando se fazendo de durona, de difícil, virava pro lado, balançava a cabeça e jogando seus cabelos pro lado falava "I'll be the one who will break my heart" depois pra se afastar ainda dava um gritinho "ahh".

Uma hora depois do nosso encontro ela contou até 10, pulou o 7 e o 8 e foi embora. Gritei por favor para não me abandonar assim, e esperei de pé. Ela atendeu, voltou, disse q seria breve, contou histórias de leões marinhos e se foi.

Caí de amores pela Feist, não há quem resiste a um show desse sem aviso prévio.

Thursday, October 11, 2007

Nirvada-Ilustrado-Deixa-Pra-Lá-Tour

Me juntei ao Lúcio q resolveu passear por essas terras frias, e guiado por um texto do Washington Post saímos em busca da história do Nirvana. Colocando tudo em ordem e dando uma dramatizada forte, formou-se assim o post Nirvada-Ilustrado-Deixa-Pra-Lá-Tour. Uma história baseada em fatos irreais digna de um belo Supercine.

Kurt Cobain era um garoto pobre, filho de vendedores de baralhos temáticos em Alberdeen, WA

Kurt Cobain- um dócil menino

Alberdeen, única cidade no mundo que comemora o dia do Tom Cruise

Em 1980 Kurt visitou Seattle com os pais em uma caravana. Não se sabe o motivo real, mas Kurt não voltou com os pais e se tornou músico atuante e nada reconhecido no Pike Market

Caravana Alberdeen - Seattle

Kurt com seus amigos tocando nas ruas de Seattle


Vivendo na miséria Kurt Cobain conheceu em uma das esquinas seus companheiros de banda Dave Grohl e Krist Novoselic onde se juntaram e formaram a banda Nirvana com o único intuito de pegar menininhas bonitinhas de sainha rodada e franjinha na testa, mas se não desse qq gordinha com calcinha de pele já seria mais do q suficiente.

Dave Grohl

Krist Novoselic


Após muita dedicação e encheção de saco, a banda finalmente conseguiu agendar um show no Central Tavern.

Central Tavern - bar reconhecido por apresentar bandas sem viabilidade comercial ou auditivas

Como esperado, o show não se realizou por falta de público. Uma semana depois o Nirvana conseguiu agendar um show no salão de cabelo Vain. Após o show Kurt vomitou no estacionamento ao lado, apesar de muitos alegarem nervosismo, o motivo real foi a péssima qualidade das empadinhas servidas no couvert artístico.

Vain - loja e hair dresser especializado em máquina 4

Parking Lot - a azeitona da empada ficou 3 dias sobre a vaga 42 até ser atropelada por um Hummer

A diretora da gravadora SupPop estava na Vain de passagem, achou Kurt um gato e resolveu adotá-lo.

Por motivos pessoais a diretora da SubPop pediu para não ter seu nome divulgado

SubPop - porta por onde o Nirvana entrou para assinar seu primeiro contrato. Todos exceto Kurt entraram com o pé direito

Com o contrato assinado, o Nirvana começou a tocar nos principais programas de tv, entre eles Cool Sunday e Faust's Big Sunday (este último ainda gravado no teatro Moore)

Moore Theater - Atingiu seu auge durante os Shows de Calouros nas noites de domingo

Com a carreira em ascensão e uma família desestruturada, Kurt Cobain se afundou nas drogas. Enquanto o resto da banda mantinha a linha com maconha e groupies, Kurt se viciou em heroína e Courtney Love. Numa dessas noites sem limites, Kurt foi ao Ok Hotel e entre as pernas de Courney criou a música Smells Like Teen Spirit.

Courtney Love

Ok Hotel - às 10:05pm hóspedes do quarto ao lado pediram educadamente à Courtney que diminuísse o agudo e abafasse o grave, foram prontamente atendidos

O lançamento do álbum Nevermind, foi marcado na casa de shows Re-bar, a banda estava tão fora de tempo q os convidados começaram a lhe tacar comida, o caos se espalhou e todos acabaram sendo expulsos.

Re-bar - hoje apenas um bar de cardápio limitado à cervejas quentes e água mineral (sem gás)

Com a banda em decadência devido às drogas, o Nirvana não conseguia mais marcar shows em Seattle, a solução passou a ser abrir shows de bandas de amigos, entre eles Mudhoney no Crocodile.

Crocodile - ao anunciar que a banda de abertura seria o Nirvana, metade dos pagantes se viraram de costas, Courtney Love foi a única a continuar voltada ao palco


Em busca de uma reabilitação Kurt Cobain se juntou à Courtney Love e juntos foram morar numa casa afastada do centro. 3 meses depois do mais puro tédio, Kurt se matou com um tiro de espingarda na cabeça.

Kurt Cobain's House - em todas as teorias sobre sua morte a cadela esganiçada que latia 24 horas por dia do vizinho sempre aparece como uma das culpadas.

Por pura coincidência acontecia na International Fountain uma feira de roupas de flanela. Muitos preferem ignorar o fato e atribuir as 7 mil pessoas no local como q estivessem em busca de notícias sobre o fim trágico de Kurt Cobain

International Fountain - Escrever o que? A fonte é tããão bonita


Kurt Cobain foi cremado em Abril de 1994 e parte de suas cinzas pode ser encontrado em um dos banco do Viretta Park

Viretta Park - Cinzas no potinho ali no cantinho do banquinho

FIM

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Ok, talvez tenha pegado pesado e metade dos leitores q chegaram aqui procurando uma história decente esteja a essa altura me dedicando bonequinhos de vudu.
Quem procura uma história menos Supercine e mais History Channel, aconselho fortemente dar uma passada no blog do Lúcio, lá sim a história é verídica.

Monday, October 8, 2007

Os 5 Sem Sentidos

O surdo
Era meio viciado em música. E quando digo “meio” é porque na outra metade estava seu radicalismo. O q é até interessante imaginar uma pessoa radical ter dois lados iguais, mas enfim, era um sujeito radical viciado em música.
Ouvia todos os primeiros álbuns das bandas, mas com sua facilidade de generalização dizia que todo segundo álbum não prestava. Adorava bater boca sobre assuntos que entendia, no entanto, apesar de bater boca sobre todos os assuntos, nunca escutava a opinião alheia.
Um dia, comprou um iPod e o colocou no ouvido. E como era de se esperar, colocou o volume no máximo como toda pessoa de extremos faria... No mesmo momento ficou surdo para o mundo.
Ouvindo sua banda predileta, recém descoberta do final de semana, sua vida se transformou. E de uma hora para outra se sentiu sem a obrigação de ouvir nada que não lhe interessasse. Opiniões adversas seriam facilmente ignoradas, esporros de chefe seriam via e-mail, burrice de mulheres bonitas não seria mais problema, buzinas, trânsito e sotaques inintendiveis eram coisas do passado. Havia conseguido controlar um dos seus 5 sentidos e se sentia bem com isso, Melhor, tinha certeza que passaria o resto de sua vida surdo para o mundo. E assim se fez, quando aos 2'47'' da faixa 3 foi atropelado por um ônibus enquanto atravessava a 5a. Avenida.

O cego
Sua miopia era como a chuva de Seattle: nao molha, mas pertuba. Saía a noite sem óculos, mas era obrigado a dirigir com as lentes. Trabalhava numa boa, mas tinha que estar de óculos nas horas das apresentações. Enxergava todo o filme, mas perdia o detalhe por debaixo da camisa justa da Scarlett Johansson.
Um dia, durante a noite, seu local de trabalho ficou sem luz, sem mais nem menos. Assim, sem enxergar um palmo diante do nariz foi obrigado a se virar como um cego. Achou a experiencia interessante e na hora de ir embora improvisou uma bengala com um cabo de vassoura. Deixou o carro na garagem e resolveu caminhar até sua casa como um cego por opção. Gostou e, portanto, adaptou-se à cegueira voluntária, usando apenas sua imaginação.
A partir de então, o dia se tornou azul apesar de cinza, seu chefe era mais atencioso, furava fila nos supermercados e era prontamente atendido nas lojas de discos. As vozes aveludadas das mulheres as deixavam todas lindas e os carros paravam para lhe dar passagem. Enfim, o mundo era um paraíso.
E para o paraíso ele foi ao ser atropelado por um ônibus, que resolveu seguir adiante em vez de pisar no freio.

O entupido
Sujeito de nariz grande sempre sofreu com as consequências, no entanto, nunca se importou com as zoações do colégio, Seu maior problema era sua capacidade olfativa.
Durante um final de semana, foi com amigos à Alki Beach, uma "praia" de Seattle e seus amigos apostaram que seu medo por água fria o impediria de entrar nas águas gélidas de Pudget Sound. O resultado foi uma caixa de cerveja a mais em sua geladeira acompanhada de uma gripe de dois meses, inviabilizando seu nariz para todo e qualquer cheiro.
O sentimento de perder o olfato no início lhe parecia algo estranho e irritante, mas com o tempo vantagens começaram a ser percebidas. Já com o fim da gripe, ele tinha certeza que preferia viver sem aquele sentido.
Assim, toda manhã, antes de entrar no banheiro colocava tubos de algodão em suas narinas. Sua vida melhorou enormemente. O cheiro dos becos sujos de Seattle não era mais problema, a multiplicidade cultural de seu trabalho não mais o incomodava e a comida de seu companheiro de sala deixara de ser um empecilho.
Um dia, sofreu um acidente enquanto viajava cercado de sovacos inofensivos para o trabalho. Seu ônibus perdeu o controle, capotou e atropelou um posto de gasolina. O fogo não teria se espalhado e todos não teriam morrido se suas fossas nasais lhe tivessem avisado que não era seguro acender um fósforo, no meio de tanto vapor de gasolina por perto.

O mudo
Era tímido, daquele gênero que tem vergonha de dizer “bom dia” pro espelho. Andava de cabeça baixa com medo dos olhos dos desconhecidos. Falava pouco, pois tinha a impressão que ninguém o entenderia naquela cidade de língua estranha e sotaques esquisitos. Saía à noite, mas se recolhia na apatia esperando que a noite acabasse. Uma vez, a noite não acabou.
Uma linda menina lhe dirigiu a palavra e ele ficou sem reação, travou e de sua voz só saiu um grunhido. A menina, devido a má interpretação gerada pelo álcool, o julgou como mudo, o que a levou a relembrar antigas taras sexuais sobre grunhidos de mudos na cama. A paixão foi avassaladora e daquela noite saiu um casal de apenas uma voz... A dela. Resultado: adotou a mudez e assim ficou.
Com o tempo, sua voz, realmente, deixou de ser importante. Afinal, além de uma linda mulher, tal ausência lhe deu outras vantagens, como não precisar se expor nas reuniões de trabalho, não se fazer entender com sua incompetência naquela língua, ou até mesmo ignorar seu porteiro que tinha como único assunto os Seattle Mariners (baseball).
Após um dia cheio de trabalho, onde escutou muito e não disse nada, o ônibus em que estava foi parar dentro de um posto de gasolina. Ainda cambaleando viu um sujeito pegar um isqueiro e acender. Não se sabe o porquê de um sujeito acender um fósforo no meio de um acidente. A causa mais provável é um furo no roteiro. O único fato que se sabe é que se ele desejava sair vivo dali, abrir os braços mantendo sua mudez não foi uma idéia muito eficaz.

O sem tato
Sofria com o peso das consequências, e por essas e outras não tomava atitude nenhuma. Morria de medo de escrever seu futuro e assim acabava sendo levado em função dos outros. Um erro na passagem aérea fez com que parasse em Seattle em vez de Nova York. E lá ficou devido ao medo de ir embora.
Saía para onde lhe mandavam, fazia o que lhe pediam, ouvia o que o radio tocava, assistia o que a TV transmitia, era um ser passivo, inexpressivo e por que não inexistente. Talvez pelo fato de seus vizinhos não ligarem a mínima, um dia, foi eleito síndico do prédio.
De início, entrou em pânico, mas logo aprendeu a gostar daquele poder. Começou por quebrar as leis defendidas pelos moradores e em pouco tempo perdeu a noção do certo e errado. Ligou o foda-se para as consequências e virou o sujeito mais sem noção, irresponsável e sem tato do prédio, do bairro e até onde se sabe, da cidade.
Festas em sua casa duravam até o amanhecer ou até a polícia aparecer. O trabalho explodia? Ele saía para pescar, Bebia e dirigia. Economizava uma grana nos bares por não dar os 15%. Fazia o que bem queria e assim era feliz, mesmo com todos em volta sofrendo as consequências por tamanha falta de tato com a vida.
Um dia, saindo apressado, pegou o ônibus errado e ignorou a placa de “proibido falar com o motorista”. Pediu pra descer ali mesmo e o motorista nao liberou. Ele insistiu, o motorista se enfezou e uma discussão começou.
A briga só acabou quando o motorista, tentando evitar que ele abrisse a porta à força, perdeu o controle do ônibus, atropelou um cego, um surdo, adentrou num posto de gasolina, e, quando tudo parecia menos trágico, um doido com as narinas entupidas de algodão fez o favor de acender um fósforo. No meio de tudo, um mudo abria os braços como q dizendo... fudeu.


Do outro lado da cidade um sujeitinho narigudo, meio míope, ouvia uma música ambiente e resolvia criar um blog pra mentir com segurança e, quem sabe, se fazer ouvir.

Sunday, September 23, 2007

Lonely Three Friends - Passeio a dois

Domingo de sol, mas o frio do lado de fora e a inércia de Adam e Jorge impossibilitam qualquer ação q não seja pedir um café e sorrir pra garçonete de olhos caribenhos.

- Peraí Adam, explica direito essa história
- Caro Jorge, com calma e nos detalhes, até porque merece. Estava eu na última quinta rodando pelo Pike Market, tentando me acertar na conversão de 200g de presunto por não sei quantos pounds de ham, quando fui abordado por um sujeito deveras simpático. Ele veio dizendo q o presunto da barraca do chinês era melhor q o presunto do tailandês e, como pra mim chinês e tailandês é tudo japonês eu me vi numa conversa meio sem sentido.
- Tá me dizendo q não consegue diferenciar chinês, japonês e tailandês?
- Tô, pra mim são como as bandas EMO, nada contra mas são todas iguais.
- Japonês e chinês até dá, mas tailandês e vietnamita é complicado pacas.
- Bom, independente. O fato é q o cara me chamou pra barraca de presunto do tailandês e na hora eu comecei a achar estranho. Gente boa o cara, mas o cachecol verde limão amarrado no pescoço, e o excesso de gestos me deu a impressão q a idéia dele era acabar com uma tábua de frios e um vinho Bordeux em plena Space Needle.
- Compraste o presunto do china e voltou pra casa?
- Se tivesse feito isso o Ricardo estaria aqui sentado com a gente.
- Hein?
- Dei um pouco de prosseguimento na conversa, comecei a falar sobre o modo frio e "boring" de Seattle, falei q era dificil de se fazer amigos por aqui, e por aí vai. Ele concordou e quis marcar de sair um dia desses. Eu topei na hora, e passei meu nome pro cara, quer dizer, passei o nome e o telefone do Ricardo. A idéia era só dar uma sacaneada no cara, mas como ele não apareceu até agora e o celular tá fora de área, tô achando q rolou.

Horas depois, com o tempo já nublado e a cafeína já bem acima da cota diária, finalmente o foco da conversa aparece. Ricardo entra, pega o Seattle Weekly, pede um expresso duplo, senta, abre o jornal numa página qualquer, e de cabeça baixa resmunga:
- Ninguém merece a noite passada.
- Ok, todo mundo já sabe q ontem rolou um blind date, então conta logo q a gente tá numa angústia absurda
- Como diabos eu ia imaginar? Eu tô saindo do trabalho, pensando em tomar uma cerveja, ligo pra vcs e ninguém responde.
- Eu chapei
- E o meu celular morreu
- Bom, eu tava na pilha de uma cerveja, faltava companhia, daí do nada toca um número estranho no meu telefone. Atendi e era um cara gente boa pacas dizendo q tinha me conhecido numa banca de presunto de um coreano
- Chinês
- Hein?
- A banca era de um chinês
- Foi vc entao fdp?
- Preciso confessar aqui ou já tá meio óbvio? Continua a história meu filho.
- Desgraçado, sabia q tinha um de vcs no meio, mas beleza Não tava entendendo nada e até expliquei q houve algum um engano, mas o fato é q o cara tinha um papo interessante, e como eu topo qualquer coisa pra aumentar minha rede de contatos eu acabei topando. Nos encontramos num bar excelente lá em Capitol Hill, um tal de Cha Cha, uma iluminação meio red light district, bem descontraído. Bebemos durante todo o happy-hour e qd a cerveja subiu de preço a fome já batia. Ele sugeriu irmos jantar na Space Needle, o otário aqui com 4 cervejas na cabeça foi.
- Jantar a dois na Space Needle, nada mal pra um primeiro encontro. Ele pagou a conta?
- Você não tem noção. Sabe aquela história q se sentar na frente de alguém vc fica longe pra um approach e do lado fica muito na cara? Pois então, o cara sentou na minha diagonal com a desculpa de q queria ver melhor a vista. Sentou, pediu uma tábua de frios e um Bordeaux. O cara era gente boa e tudo ia bem até a hora q...
- Ele meteu a mao na sua perna?
- Não, pior! Quer dizer, sei lá se é pior. Tudo ia bem até a hora q a mulher dele apareceu?
- Mulher? O cara era casado?
- Pelo visto sim. Só sei q a mulher chegou dando um escândulo, dizendo q já sabia q ele atirava pros dois lados, q estava tudo acabado entre eles e q ele poderia ficar com o viadinho latino q ele quisesse. Porra! Eu me senti um lixo!! Eu sendo confundido com um viadinho latino em pleno cartão postal de Seattle! Me senti um marido traído pq o cara em nenhum momento falou q era casado. Depois senti meu filme se jogando sem para-quedas lá de cima. Fiquei imaginando o Seattle Times de hoje com a manchete: "Mulher dá flagrante em marido bi na Space Needle"
- E saiu no jornal?
- Comprei o Seattle Times e o PI e graças a Deus parece q a minha imagem só foi abalada lá mesmo.
- E no final das contas? Saiu de lá como?
- A mulher deu um piti, ele tentando se explicar e eu dizendo pra ela q não era nada daquilo q ela estava pensando. Fomos obviamente convidados a se retirar do restaurante, pegamos o elevador de volta e, vou te dizer... a Space Needle é alta pra caralho. Ô elevador demorado aquele. O cara ainda quis me dar uma carona, mas aí eu falei q tava legal e q preferia voltar a pé pra casa pensando na vida. No meio do caminho parei num bar, pedi um Black Label e chorei.
- Chorou?
- Sim, chorei, e não tenho vergonha de dizer. O dia q vc passar por uma situação dessa vc vai entender.
- É... o dia q eu notar uma situação dessa surgindo pode ficar tranquilo, eu passo seu nome e telefone.

Saturday, September 15, 2007

Era uma vez um pão de forma e um pote de provolone...

O pão sempre viveu cercado de fatias e talvez por só conviver com pães como ele ficou meio avesso a novos amigos, quando muito se misturava com geléias e cream cheeses, o problema é q logo após disso acabava digerido pelo maléfico estômago.

O pote de provolone por outro lado era mais chegado a se espalhar por aí, com seu formato cilíndrico, alto e de tampa verde perfurada chamava atenção por onde passava. Comprado em tamanho família por um sujeito q morava sozinho era sem dúvida o veterano da geladeira.

E todo final de semana é quase sempre a mesma coisa, pote e pão se espremem dando espaço às convidadas. Aquelas cervejas long neck são como turistas japonesas, sempre chegam em packs de 6 ou 12, se amontoam na geladeira, às vezes fazem uma visita relâmpago ao congelador e em poucas horas se despedem, dando antes uma passadinha pelo banheiro. Aquele corpo esbelto com rótulo gracioso não esconde seu sabor amargo e perigoso, desvirtuam a mente de seus clientes e sempre deixam um gosto de nunca mais no day after. Elas sabem q são apenas uma diversao barata e de fácil degustação. Vinicius costumava dizer q o uisque é o cachorro na garrafa, eu diria q as cervejas nada mais são que camélias engarrafadas.

Na foto o pão de forma se sentindo coagido enquanto o pote de provolone anda feliz da vida com suas amizades descartáveis.

PS: Quem deu a idéia foi a Sil

Wednesday, September 5, 2007

Labirintos da vida

Tudo começou quando eu era criança, mimado q sou, meu pediátra vinha à minha casa resolver meus problemas infantis (catapora, coqueluche e viadagens em geral). Fui crescendo e os antigos hábitos apenas se fortaleceram. O fato dele ter 103 anos, ter dado aulas pra sua mãe e ter um prédio da UFRJ com seu nome me dava confiança, ao invés da idéia correta de q se ter o mesmo pediatra por mais de 20 anos é a mesma coisa q ter aos 30 uma Monark aro 16 com rodinhas.

Um dia eu me fudi. Mas me fudi mesmo. Na verdade só me fudia à noite. Durante mais de uma semana eu acordava fudido no meio da noite. Toda noite era assim... fudido. Por sorte naquela época eu dormia sozinho, o q me dava a certeza q era um problema de saúde e nao um problema de pregas.

Procurei meu pediátra, ele deu uma opiniao vaga e pediu uns exames, nada. Fui ao ortopedista da família, ele pediu uns exames, nada. Não lembro ao certo, mas ao todo fui à oito médicos de especialidades diferentes. Do pediátra ao gastro todos pediram exames, nada. O urologista ainda me mandou a sábia pérola ao saber q eu tinha um pediátra: "Vc já tá na idade de arranjar um médico de gente grande." Eu melhorei, o q era? Ninguém sabe ao certo, mas provavelmente era algo entre uma virose (pediatra) e falta de fibras no organismo (gastro).

Os anos se passaram, eu me mudei pra Seattle, ainda durmo sozinho e apesar de hoje em dia encher a cara regularmente, tenho total noção q nunca acordei fudido.

E assim acabaria a história, se nao fosse um gancho típico daquelas continuações de filmes caça-níquel americano voltados para a juventude retardada comedora de M&M.

- Q tal se a dor voltasse?
- Muito óbvio

- Poderiamos matar o pediatra?
- Provavelmente ele já está sob a ajuda de aparelhos

- Vamos dizer q o plano de saúde nao cobriu os 8 médicos?
- Ninguém se interessa por histórias dramáticas

- Inventamos um rockstar brocha e o colocamos na história sem mais nem menos!
- EXCELENTE IDEIA!!

Assim, por força de um roteiro non sense do destino, Joao Brasil foi acrescentado a minha vida.

Eu q já andava perdido pelo mundo e sempre buscando referências musicais aqui e ali descobri o novo rei do pop, com clássicos instantâneos fui fisgado pela sua irreverência e acabei distribuindo links de seu myspace pelas ruas em q passava.

Numa dessas audições públicas minha mãe em visita à Seattle ouviu, riu, digeriu e assimilou o nome da criança. Meses depois durante uma visita à casa de amigas, enquanto batia papo, tomava um chá e falava as mais baixas putarias (típico de uma conversa entre mulheres), não só o nome de João Brasil veio a público, como o nome de seu pai o acompanhou. Seu pai, calhava assim de ser o mesmo urologista q me atendeu anos atrás enquanto eu acordava fudido toda noite.

Uma sensação horrível me corrói desde então. João Brasil, q até entao para mim era um ser inatingível, um rei do pop visto apenas através das janelas da MTV. Se tornou de uma hora pra outra algo tao real, mas tao real q até seu pai já viu minha pica! E se não fosse o bastante, ainda tenho q conviver com a idéia de q nossos pais se conhecem intimamente, afinal, meu pai é seu cliente há anos (sem trocadilho por favor).

Tuesday, August 28, 2007

O boi

Era uma vez um pé chamado Zé e uma cabeça chamada Ameixa.
Ameixa e Zé eram muito tímidos, fez-se assim uma história sem pé nem cabeça.
Pior q a ameixa além de cabeça é fruta, fruta q o João adora,
mas como nessa terra tudo da processo e o João só gosta de ameixa,
no final da história o João vai acabar morrendo de fome... tadinho.
FIM

Monday, August 27, 2007

Lonely Three Friends - É doce pra tip

Inicio de outono, um período de transição em q as folhas amarelam, o tempo esfria e a chuva se torna uma constante. Independente disso tudo Adam, Jorge e Ricardo continuam estirados no café como nos ultimos 142 finais de semana.

A conversa durante as últimas duas horas seguia mantendo um ciclo vicioso: aquecimento global, globo ecologia, programas falidos, atrizes falidas, atrizes falidas e velhas, atrizes falidas velhas mas ainda gostosas, atrizes falidas porem não tao velhas e portanto mais gostosas, carla camurati, claudia ohana, mata atlantica, aquecimento global, globo ecologia... Foi preciso q a nova garçonete do café aparecesse oferecendo seus serviços para q o foco fosse trocado.

A menina se aproxima com uma desenvoltura de fazer inveja à qualquer Fernanda Lima, cabelos tingidos de vermelho, dois piercings cruzando sua face maquiada do número exato de sardas e olhos q remetem as águas do Caribe. A conversa para, ela pergunta se estão todos bem, e a resposta é simultânea:
- ahhãããããã
Ela sorri e vai embora deixando um sorriso no ar e uma esperança no coração dos meninos.
- PUTA QUE O PARIU!
- CARALHO!
- VÁ-TE À MERDA!
- De verdade, onde é q eu acho uma garçonete dessas lá pra casa?
- Acho q vou abrir um bar só pra poder anunciar nos classificados: "Procura-se garçonetes de boa aparência, favor enviar currículo com foto de corpo inteiro" Sabe como é né, aqui tem várias bonitinhas de cara e péssimas de corpo.
- Essa merece 25% de gorjeta no mínimo!

Adam resolve dar uma do contra:
- Calma lá! Dar mais gorjeta porque a garota é uma gracinha?
- Lógico! A gente dá gorjeta pra quem merece, ela não fez nada demais, mas só o fato de chegar aqui mais perto já vale o bônus. Se vier de novo periga eu subir pra 30%
- Adam, na boa. A garota veio aqui, animou o nosso dia e vc tá dizendo q ela nao fez nada?
- Os senhores poderiam fazer o favor de pensar com a cabeça certa! Ela sabe do potencial q tem, sabe muito bem q basta se reclinar um pouco e olhar nos nossos olhos q a gente fica em estado de choque. Ela tá é apelando pra conseguir gorjeta.

- Caceta Adam, vc tem problema, ontem na boate foi a mesma coisa. A garçonete, linda, chegou pra vc, disse q lhe daria um drinque se vc dançasse com as gordinhas q estavam atras de vc, vc dançou, ela lhe trouxe a tequila mais cara da casa, lhe mandou um beijo e vc virou pra gente e disse q ela tava se aproveitando de vc atras de uma gorjeta maior
- E aquela vez q a menina ajoelhou do seu lado, disse q o prato q vc tinha escolhido era uma delícia e ainda disse q a receita que tinha em casa era pra duas pessoas!
- Senhores... não adianta... simplesmente eu não acredito em garçonetes.

- Vc é doido, fica aí sempre reclamando q não tem mulher, q sao todas umas falsas, q ninguém presta e tal. E daí porra? Foda-se q ela tá se aproveitando de vc, deixa a ética de lado e faça o mesmo?
- É por aí mesmo, vc de nós três é o único q não pode reclamar, as mulheres estão sempre no seu pé e vc tá sempre dizendo q não prestam, q não valia a pena, q isso ou q aquilo. Porra, vá te a merda!! Eu vou dar 50% de gorjeta pra garota pq hoje é a única coisa q tá valendo a pena nesse café.

Com o nível da conversa pesado eles pediram a conta e, com o mesmo andar malemolente ela veio, reclinou, falou um thank you very much de biquinho e saiu dando uma piscada de olho enquanto soltava um see you next time. Abriram a conta e o total vinha acompanhado de coraçõeszinhos.

Adam não deu trégua:
- Tá vendo, depois diz q dá pra confiar em garçonete. Vcs ficam aí com cara de tacho todos apaixonados enquanto ela manda coraçãozinho pra todos os clientes desse café. Será q vcs não percebem q isso tudo é só papo de vendedor! Vcs por um acaso conhecem algum casal de namorados q começou assim? Não rola, é tudo armação da garota pra conseguir uns trocados a mais. Puramente doce pra tip.
- Adam, meu caro, eu não estou aqui falando q esta garçonete está dando mole pra gente, as outras duas citadas anteriormente estavam, mas sua incompetência fica pra outra história. Só estou falando q ela deixou o meu dia mais bonito, eu por um momento vi um pedacinho de céu azul no meio de tanta nuvem cinza e poderia ser ainda melhor se vc nao ficasse aí dando piti e quase chamando a coitada da garota de prostituta de balcão.
- É Adam, pega leve, vc deve tá meio bolado com sua total falta de atitude com a menina de ontem e resolveu descontar nesse pobre anjo inocente.

Ricardo assinou seu cartão de crédito o decorando com várias estrelinhas. Jorge seguiu o mesmo exemplo desenhando corações seguidos de carinhas felizes. Adam relembrou a conversa q estavam tendo antes da intromissão da garçonete, saiu comentando a cena em q a Regina Casé corre nua em volta da piscina, enquanto q em sua conta os 15% padrões se misturavam com clássicos caralhinhos voadores. Antes ela fosse contínua.

Saturday, August 11, 2007

Nova frente de trabalho

Na verdade é tudo desculpa e todo mundo sabe disso. Essa história da Microsoft ajudar no processo do green card nada mais é do q uma sábia tentativa de prover uma revolução sexual dentro da empresa.

Claro, lógico, óbvio, ridiculamente na cara e só não vê quem não quer. Lá pelos anos 60 inventaram a pípula e junto com ela veio toda uma liberdade sexual. Durante um bom tempo o mundo inteiro festejava por meio de sexo, drogas e rock'n roll enquanto um adolescente de Seattle ficava na sua garagem conversando com bits.

Como tudo q é bom dura pouco e Newton já falava q pra tudo há uma reação igual no sentido oposto, do sexo, drogas e rock'n roll vieram a aids, a overdose e o pagode. E o garoto nerd q preferiu ficar na garagem virou meu chefe.

Bill pode ser nerd, rico e brega, mas visão o cara tem. Depois de mudar o mundo adotando a cor azul como um indício de problema e doar rios de dinheiro para um mundo melhor, seu próximo passo parece mesmo ser revolucionar o meio corporativo atuando justamente no relacionamento entre os funcionarios.

Utilizando uma brecha do processo de green card, a Microsoft colocou boa parte dos empregados na fila, e com isso fez com q todos preenchessem mil e um documentos, no meio deles havia um exame médico, e no meio do exame médico havia um teste pra um tal de HIV. Como o deadline do processo era curto ela conseguiu q todos fizessem o teste praticamente ao mesmo tempo, e agora, todo mundo sabe se é ou não um hivfree, isto é, estamos livres (ainda q dentro da empresa) para comer quem quiser.

Claro q é preciso desenvolver na cabeça dos funcionários o conceito da reprodução. A newsletter semanal inaugurou a coluna correio do amor. Eventos outdoor estão sendo patrocinados como um pic-nic nas margens do lake washington, luau à espera da chuva de asteróides e camping nas montanhas. Em paralelo os funcionários mais urbanos também foram recompensados com twister nos corredores, gato mia nos laboratórios e drive-in nos estacionamentos.

Bill conseguiu com uma só cartada criar um ecossistema auto-sustentável de nerds como ele, e a consequencia é clara: novos casais dentro da empresa se formarão, novas crianças nascerão, e do mesmo jeito q filho de músico é músico, filho de nerd é nerd. Sim, é uma estratégia de longo prazo, mas Bill, q sempre foi um homem de visão, novamente enxergou antes de todo mundo, e agora além de desenvolver software, desenvolve nerds... recurso fundamental para o sustento de sua empresa.

PS: Deixando claro q esse post é 100% fictício e eu tô avisando isso pra nao correr o risco de perder meu emprego.

Monday, August 6, 2007

Pontes por todos os lados

Cada país com seus problemas, enquanto o Brasil sofre com o colapso aéreo, os Estados Unidos enfrentam o descaso com a manutenção de suas pontes. Várias reportagens procuram deixar claro q há sérios problemas nessa área, e q talvez a ponte em Minesota tenha sido apenas a primeira a cair.

Aqui em Seattle a população começou a demonstrar uma grande preocupação com o assunto. Pra quem não sabe, Seattle é cercada de pontes por todo o lado, de cabeça eu listo seis(SR-520, I-90, Fremont Bridge, Aurora Bridge, West Seattle Bridge, First Ave Bridge), ou seja, junta as pontes com a paranóia americana e sente só no q dá.

Como aqui é uma grande cidade do interior, tudo acontece na pracinha com a barraquinha de hot-dog. Pois então, ontem na pracinha rolou o primeiro protesto em busca de melhores condições nas pontes. No protesto se viu de tudo: democratas pedindo a volta dos soldados para a recuperação das pontes, hippongas oferecendo travessias a canoa em troca de um abraço, e mega corporações como Starbucks e Macys oferecendo desconto para consumidores a menos uma ponte de distância.

Os políticos acostumados a utilizar helicópteros enviaram apenas uma carta à população dizendo: "Estamos cientes do problema e trabalhando em busca de uma solução q atenda os interesses de todos". Interessante é notar q a mesma carta foi enviada durante um protesto pedindo q o chafariz da pracinha fosse desligado após as 22 horas, o motivo seria o aumento de idas noturnas ao banheiro dos moradores próximos ao monumento.

Não pode-se negar q o transito (sempre caótico) melhorou consideravelmente, e dizem por aí q os jet skis voltaram à moda e estão sendo classificados como o novo meio de transporte de geeks descolados, ultrapassando até os até então insubstituíveis segways.

Claro q isso tudo é paranóia de americano e, eles só estão se mostrando preocupados porque ainda faltam dois meses para a nova temporada do American Idol.

Tuesday, July 31, 2007

Diário de um leonino

Eu como bom leonino nunca acreditei em astrologia, afinal, não faz o menor sentido achar q minha vida é fruto de um posicionamento de planetas enquanto tenho a certeza q foram as constelações q se posicionaram daquela forma por minha causa. Semana de aniversário e mais uma vez fica comprovado q a Terra pode ser redonda, mas ela gira num eixo determinado por mim.

O lançamento do meu projeto estava marcado para o fim de julho, resolveram dar uma adiada em um mês e pegar o final de julho, por que? Ora, assim após o projeto meus gerentes teriam uma desculpa perfeita para me liberarem na semana do meu aniversário. Enquanto inventavam desculpas aos outros dizendo q mereciam uma folga por terem feito um bom trabalho, me diziam q foi a única solução, pois eu tive o azar de ver meu aniversário cair numa quarta-feira (às vezes acontece). Atinjo assim a marca de 29 anos consecutivos declarando meu aniversario como um feriado pessoal.

Com a semana ganha resolvi fazer uma festa de aniversário no sábado anterior, algo como uma boa ação para liberar aqueles amigos q quisessem viajar (não posso estar com todos ao mesmo tempo e eles entendem). Claro q a cidade de Seattle não poderia deixar a data escapar e anuncinou a Torchlight Parade para o mesmo dia e horário da festa, passando na frente do salão de festa. 300 mil pessoas compareceram à parada enquanto somente poucos felizardos tiveram acesso a minha festa vip.

O Daft Punk q ano passado tentou me ver no Rio mas chegou com um mês de atraso, dessa vez se viu numa situação complicada. Teve q agendar seu primeiro show em Seattle para um domingo em vez de um sábado a fim de não conciliar o espetáculo com minha festa. Compareci ao evento organizado por eles e com mais sete mil pessoas comemorei meu nascimento.

Nem só a música fez seu papel, Hollywood também marcou presença estreiando Os Simpsons nesta semana sagrada, com medo de errar atiraram em outra área também estreiando o novo filme do Danny Boyle. Essa semana eu assisto um deles e os deixo mais contentes.

Na área jornalística o jornal Valor Econômico estampava uma reportagem em minha homenagem falando sobre os brasileiros na Microsoft. Eu pedi para não citarem meu nome e darem espaço aos outros, eles entenderam, mas nao resistiram e colocaram uma foto.

Ainda não sei o q farei durante o resto da semana, hoje sairei pra beber com os amigos mais chegados e amanhã talvez fique em casa um pouco cansado de tanto assédio.
É dura a vida de um leonino.

PS: uma pena q J.K. Rowling errou por uma semana a data do lançamento de seu livro, mas tudo bem, eu nem sou tão fã do bruxinho assim.

Saturday, July 21, 2007

Harry Bootleg Potter (no spoilers)

- There's no way for you to go to the Death Tower, you don't have your broom, there're no roads, and to cross the sea you're gonna need a bigger boat. - said Ron to Hermione
- Roads? Where we're going we don't need roads.
- What do you mean?
- Elementary, my dear Ron. Don't you know that if you build it, he will come. I built this whistle and with it Forrest the Bird will take me there.
- No! You can't go!
- Look, Ron, I can see you're really upset about this, but I'm going to make him an offer he can't refuse.

Hermione whistle and Forrest appear in less than two minutes
- Please don't go!
- Don't you worry, I'll be back.

- So do you want a go to some place like Bolivia?- said Forrest The Bird
- No, I need to go to the Death Tower, so run, Forrest, run! Harry needs my help
- Kid, the next time I say, "Let's go someplace like Bolivia," let's go someplace like Bolivia. That tower is The horror... the horror.

As soon as Hermione arrives in the Death Tower she meets Harry
- Harry... my precious!!
- Hermione, what are you doing here?
- We all go a little mad sometimes.
- Hermione, we have a problem
- What is the problem? I want the truth!
- You can't handle the truth!
- Harry, let's go to Kansas! There's no place like home.
- I can't go, I need to confront him, but don't forget... we'll always have Paris
- Harry, Harry... Harry, if you go, where shall I go? What shall I do?
- Frankly, my dear, I don't give a damn.

Harry Potter goes through the door and finally meets Voldemort for what shall be their last battle.
- Potter, Harry Potter.
- You talkin' to me?
- Have you ever danced with the Devil in the pale moonlight?
- Are you gonna bark all day, little doggie, or are you gonna bite?
- You've got to ask yourself one question: 'Do I feel lucky?' Well, do ya, punk?
- Go ahead, make my day.
- Yippie-ki-yay, motherfucker!

Voldemort fly in Harry's direction, but he dodges with a magic move.
- Get your stinking paws off me, you damned dirty ape!
- Dumbledore never told you what happened to your father.
- He told me enough! It was you who killed him.
- No. I am your father.
- No. No. That's not true! That's impossible!
- Search your feelings. You know it to be true.
- Noooooooooooooooooo
- Forget it, Harry. It's Chinatown.

Sunday, July 1, 2007

Scripts do nosso dia a dia

Conversas altamente produtivas q enfrento todo santo dia. Groundhog Day perde

Na academia:
- Good morning!
- Hi
- Como está seu dia?
- Sonolento
- Preparado pro final de semana?
- Estarei assim q acordar
- O tempo parece q irá melhorar, não acha?
- É
- Tenha um bom dia!
- Você tb

No refeitório da MS:
- Good afternoon!
- Hi
- Como está o seu dia?
- Enrolado de trabalho
- Preparado pro final de semana?
- Não vejo a hora
- O tempo parece q irá melhorar, não acha?
- Que nada, fechou de novo
- Tenha uma boa tarde!
- Você tb

Chegando no meu prédio
- Good evening!
- Hi
- Como foi seu dia?
- Podia ter sido melhor
- Preparado pro final de semana?
- Sempre
- O tempo parece q irá melhorar, não acha?
- Já perdi as esperanças
- Tenha uma boa noite!
- Até amanhã de manhã.

Thursday, May 17, 2007

Lonely Three Friends 2.0

Adam já tava na fila pro segundo mocca quando Jorge chegou com seu laptop debaixo do braço, se ajeitou na mesa, abriu o bicho e enquanto rolava o boot pediu pra Adam fazer o serviço de garçom trazendo um café com canela.

- Andei aqui pensando e cheguei a conclusão q a internet realmente é uma arma poderosa q a gente não faz uso como deveria. Pensa só a quantidade de gente q tá online disposta a conhecer gente. Da só uma olhada em volta, de cada 10 mesas pelo menos 7 tem um laptop.
Ricardo meio q sem paciência desse papo cibernético só avisou q é bem mais fácil chamar pra conversar qualquer uma das 7 mesas, do q achá-las na internet.
- Isso é óbvio, mas a questão é pq se restringir a esse café se temos o mundo a disposição? A gente aqui travado no café reclamando q nao conhece ninguém e a resposta tá na nossa cara. Vou criar profile em tudo q é site, dar uma ajeitada nas fotos do Orkut, endireitar meu MySpace, me descrever no Match.com, criar um avatar no Second Life, publicar umas fotos no Flickr, fazer uma senhora seleção musical no Last.fm, me anunciar no eBay e o q mais aparecer pela frente.

Ricardo vendo q Jorge pelo menos se sentia feliz por se achar o mais inteligente da mesa deixou o cara em paz. Adam voltou à mesa, e lá ficaram até o fim do café, o papo q já não tava evoluindo se tornou mais complicado quando um deles se relacionava mais com o computador do q com o mundo à sua volta.

Ao fim do café Adam e Ricardo levantaram e foram embora. Minutos depois, duas lindas morenas de olhos azuis passaram pela mesa e perguntaram se as cadeiras estavam vagas. Jorge disse q estavam e q podiam pegar, tudo isso sem tirar os olhos de seu mais novo elfo no World of Warcraft.

Sunday, May 13, 2007

Pelada's Heroes - O Caminho Para a Glória

No primeiro amistoso ficou claro q teríamos obstáculos pelo caminho. Na estréia do campeonato percebemos q se decepção fosse um problema o melhor seria abandonar o time. Como somos perseverantes e não possuímos a menor auto-estima (como todo nerd q se preze) ignoramos o fato de estarmos tomando uma goleada atrás da outra e procuramos enxergar um saldo positivo, por mais q nosso saldo de gols já tivesse dois digitos negativos.

Procurando algo para se apoiar foi fácil perceber q ao longo das partidas o time estava melhorando. Por mais q a derrota nos acompanhasse em todos os momentos, o número de gols sofridos diminuía com o tempo, ou seja, ainda havia uma esperança. Através de projeções aritméticas, estudos de caso, previsões metereológicas, numerologia e um pouco de dinâmica de grupo, chegamos a conclusão q nosso primeiro empate aconteceria após o último jogo da liga. Percebendo q o tempo era mais um adversário a ser batido resolvemos, tomar uma posição ofensiva, adotamos o 2-3-5 e partimos para o tudo ou nada.

Com práticas dignas do falecido Caixa D'Agua rasgamos o regulamento e convocamos jogadores impedidos de jogar por processos contratuais, ou seja, não trabalhavam na Microsoft. Começamos a explorar um lado mais malandro e desrespeitoso de jogo e, ao longo das partidas foi fácil enumerar a quantidade de faltas cavadas, reclamações ao juiz, carrinhos desleais e cusparadas na cara q nosso querido time despejou. Pelada's Heroes é hoje com muito orgulho considerado o time mais desleal e catimbento de todas as ligas da Microsoft. Por fim, o mais dificil foi liberar nosso hermano argentino para chamar seus amigos, mas tudo bem, ao lhe darmos a notícia seus olhos brilharam com tanta intensidade q por algum momento tivemos a impressão q ali dentro existia uma boa pessoa, por sorte esse momento foi breve o suficiente e não deixou saudades.

No último sábado finalmente conseguimos atingir nosso objetivo. Entramos em campo com um time globalizado. Brasileiros, argentinos, japoneses, americanos e um afegão mostraram q no esporte há sim um ambiente de paz e solidariedade. Nosso adversário formado basicamente por atletas geriátricos se mostrou no início bastante resistente ao nosso poder ofensivo, mas através do uso de bolas reservas conseguimos acelerar o ritmo de jogo e em 20 miinutos conseguimos tirar três de campo por motivos diversos (estiramento muscular, pressão alta e ataque cardíaco). Com um lançamento excepcional de nosso Iranildo, um passe de joelho direito do nosso Obina e um chute cruzado de Nakata abrimos a porteira. Minutos depois em um impedimento escandaloso, Robert Duvall empatou o jogo. Vendo q a vitória poderia escapar por nossos dedos apelamos para investidas ousadas, diminuímos a catimba e subimos ao ataque, em minutos nosso querido afegão meteu um gol de cabeça após uma cobrança de escanteio magnífica de Iranildo.

Com o fim do primeiro tempo e a possibilidade de uma recuperação física do adversário, nosso hermano lhes ofereceu uma águinha milagrosa. No segundo tempo, enquanto o adversário se mostrava sonolento e sem ação, Pelada's Heroes era só pressão. Não demorou muito para Afegão e Obina marcarem outros dois gols, o segundo com uma ajuda considerável de uma crise de incontingência urinária do goleiro Ben Kingsley.

Há cinco minutos do final do jogo o time geriátrico ainda marcou um segundo gol, mas a partida já estava decidida e, quando o árbitro apitou o final do jogo enchemos o peito de alegria e saímos de campo com um só grito: "O Chego Já... Pode Esperar... A Sua Hora Vai Chegar". Aos q não sabem (todos vcs), Chego Já é o maior rival do Pelada's Heroes desde a criação do tempo e da matéria, um time formado unicamente por brasileiros vascaínos q preferiram se afastar de seu país de origem por não suportar mais o nome vice sobre suas costas. Enfim, um clássico... aguardem.

Friday, May 11, 2007

Lonely Three Friends

Sentados nas poltronas de um café perto de casa, 3 amigos vislumbram no meio daquele asfasto cinza, calçada cinza, e céu cinza de Seattle uma mulher com seus aparentes 30 anos cruzar a rua, se aproximar da lata de lixo, abrir a bolsa e jogar tudo fora, no caso... lixo.

- Alguém consegue me explicar qual o motivo disso?
- Registra isso pelo amor de Deus q meu celular tá com a memória cheia!
- Relaxa, a gente sempre vem aqui, mas dia menos dia ela volta e a gente registra com cuidado.

Adam, Jorge e Ricardo eram meio q assim, praticamente todo santo dia passavam no café, sentavam nas poltronas, abriam um jornal, olhavam pra janela, e ali ficavam. Se eram felizes assim? Nem um pouco, mas acreditavam piamente q aquele café poderia lhes trazer algum benefício um dia. Mais precisamente acreditavam q um dia uma loira peituda ou uma morena bunduna apareceria na poltrona ao lado, se interessaria pela lingua estranha q falavam e os convidariam para seu apartamento há 2 quadras dali. Há uns meses atrás Adam, Jorge e Ricardo fizeram a conta e descobriram q esperavam por esse momento há 1 ano, 3 meses e 19 dias.

Ficavam lá, inventando teorias conspiratórias sobre o porque da vida deles simplesmente não andar como imaginavam, no intervalo do assunto na maioria das vezes levantavam da poltrona e compravam um café.

- De verdade, o q faz uma mulher guardar lixo na bolsa desse jeito?
- Não ter sacos de lixo é uma opcao
- Não faço idéia mas dá pra descobrir fácil!

Ricardo largou seu café na metade e saiu voando na direção da mulher antes q ela tirasse a última lata de alumínio amassada de sua bolsa. Saindo do café diminuiu o ritmo em direção a mulher, chegou devagar e perguntou com toda a calma do mundo:

- Vc pode me informar q horas são?

Ela esvaziou os pedaços de chocolates velhos, os sacos de cheetos vazios, as ultimas gimbas de cigarro malrboro e respondeu:

- Joguei meu relógio fora na quarta passsada
- Mas vc tem pelo menos um minuto? A verdade é q eu não estou interessado na hora, mas queria muito saber o q vc está fazendo guardando esse lixo na bolsa.
- Posso saber porque?
- Porque o q?
- Porque vc quer saber sobre o q guardo na bolsa e sobre o q jogo no lixo?
- Não, nada disso... foi só porque eu achei estranho alguém do nada parar no meio da rua, abrir a bolsa e começar a tirar um monte de lixo. Não quero saber o q vc está jogando fora, apesar de já ter visto uma meia dúzia de absorventes usados, só achei estranho e, em vez de ficar corroendo a minha cabeça sobre o porque disso, vim direto perguntar à fonte.
- Estranho é vc q sai larga seu café com seus amigos e vem pertubar uma desconhecida fazendo perguntas sem o menor propósito. Com licença mas eu tenho mais o q fazer.

A mulher deu uma última batinha tirando o restante das cascas de ovo, fechou a bolsa, virou as costas e foi embora. Ricardo voltou ao seu ponto de partida, no café e sem entender nada.

- Qual é? Eu pelo menos tentei conhecer alguém, um dia eu acerto, melhor do q ficar aí despencado na poltrona.
- Vc tem toda razão. Eu se fosse vc aproveitava e ia lá puxar assunto com aquele sujeito q tá segurando uma placa alegando q teve o pai morto por ninjas.

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PS: Todos os personagens são fictícios exceto a mulher do lixo e o sujeito da placa

Sunday, April 22, 2007

Such a Perfect Day (3)

Kaoma - Lambada é sacanagem!! Beleza q é legal e até normal ouvir música brasileira nos bares, restaurantes e cafés de Seattle, mas é preciso um mínimo de seleção em certos casos.
Deixo o Stranger de lado, pego meu café e vou pra rua cruzando Belltown em direção à Downtown. Belltown é o Leblon de Seattle: gente bem civilizada, prédios bonitinhos, jardins bem tratados, restaurantes ótimos e caros, cinema de rua, mendigos educados, malucos e drogados estirados pelos becos e policiais se fingindo de cegos.
Colocando pra tocar These Boots Are Made for Walking eu pego a 2a. Avenida e vou me embora com toda a calma do mundo.

Atravesso o bairro de ponta a ponta, alcanço Downtown e desço em direção ao Pike Market com a desculpa de q quem sabe eu compro alguma fruta lá pra casa (a última vez q vi uma fruta foi numa foto de em suco enlatado). O Pike Market pode ser descrito como o resultado da equação Cobal do Leblon + Feira Hippie + Rua da Alfandega + Moleques Malabaristas. Junta tudo isso, coloca um Q de ponto turístico e pronto, vc ganha toda a liberdade de aumentar o preço da maçã e da laranja sem q ninguém torça o olho.

É curioso parar pra pensar nos vendedores de peixe, diferente dos donos de quitanda japoneses, dos taxistas africanos, dos cozinheiros mexicanos e das putas tchecas, os vendedores de peixe são americanos legítimos!! Interessante como em Seattle ainda existe uma profissão q resista ao excesso de mão-de-obra estrangeira. Começo a pensar q deve ter alguma máfia muito barra pesada por trás disso.

Ainda sobre os peixeiros, aqui pra se vender peixe é preciso todo um know-how, os caras jogam o peixe pra um lado, jogam o peixe pro outro e berram o pedido independente da distância do cliente. Imagina o Sucolé do Claudinho... é igual, só q com atum e badejo.

Compro uma maçã, ligo o iPod no novo do Wilco e fico zanzando pelos corredores como mulher de classe média, passeando em todas as lojas e sempre saindo de sacola vazia. Ao fim do cd e com o objetivo de mudar de ares rumo aos prédios de Downtown, meto na "agulha" ...

Monday, April 9, 2007

Pelada's Heroes - A Estréia

Uma semana depois do primeiro amistoso do Pelada's Heroes, finalmente entramos em campo para nossa estréia oficial. A expectativa não poderia ser melhor, em apenas uma semana conseguimos apresentar um goleiro contudido, um defensor com estiramento na coxa direita, um atacante com uma operação de joelho agendada e um meio-campista comemorando a véspera de Pascoa com a família. O cheiro de derrota contudo não nos tirava a esperança de termos um dia melhor... apesar da chuva.

Durante todo o jogo ficou claro q nosso time precisa melhorar em muitos aspectos como, posicionamento, toque de bola, chutes a gol, chutes a lateral, chutes a linha de fundo, chutes a torto e chutes a direito. Em geral precisamos nos entrosar, especialmente nos entrosarmos mais com a bola

Subornamos o juiz e conseguimos um pênalti a nosso favor, nosso hermano tentando se livrar da culpa pela derrota bateu e fez. Mais tarde descobrimos q nosso capitão havia subornado tb o goleiro.

Com o placar final marcando 7x1 começamos a fazer especulações sobre o culpado. Como o argentino marcou nosso único gol, não poderíamos culpá-lo novamente. Acabou sendo fácil definir q a culpa estava toda no juiz ladrão e subornado por nós.

O q fazer agora? Podemos intensificar nosso treinamento e nos tornar apenas um time fraco, mas se quisermos mesmo fazer história é melhor mantermos nossa fama de medíocre. Sendo assim, é preferível avançar pelos flancos através de uma boa campanha de marketing, com artigos esportivos licenciados, vídeos dos piores momentos e o o mais importante de tudo, naked cheerleaders gritando "Give me a P, E, L, A, D, A !!!".

Friday, April 6, 2007

Caos na Microsoft

Empregados do prédio 30 da Microsoft resolveram nessa quarta-feira decretar greve. A insatisfação já vem sendo demostrada há pelo menos seis meses, depois que uma falha grave no sistema de controle de código provocou o choque entre duas versões betas do novo Windows Vista. A partir daquele momento ficou claro q os desenvolvedores não tinham acesso à toda a rede de dados, sendo obrigados por vezes a trabalhar no escuro.

Nos últimos seis meses os desenvolvedores ouviram do órgão responsável q novos investimentos seriam feitos em curto prazo, procurando assim aliviar a tensão especialmente nos horários de pico como a decolagem de versões beta e release candidates.

É sabido q a má reputação da empresa afeta diretamente a imagem de seus funcionários, para evitar um maior desgaste e a possibilidade de q o software de controle de código fosse transferido para os adeptos do software livre, os desenvolvedores optaram por esconder os fatos dos principais canais de mídia.

Entretanto, a previsão de um possível lançamento de versão durante a semana semana, levou os desenvolvedores do prédio 30 a decretarem uma greve em busca de melhores condições de trabalho. A foto abaixo registra boa parte dos funcionários se negando a voltar a seus postos de trabalho. Outros preferiram ocupar suas salas jogando paciência ao invés de cumprirem com suas obrigações.

Depois de algumas horas, Bill Gates resolveu se manifestar e conseguiu apaziguar o ânimo dos desenvolvedores, garantindo uma ampla reforma no sistema de controle de código, a construção e a realocação dos desenvolvedores para edifícios mais modernos e, por fim, garantiu q nenhum dos desenvovedores seriam julgados pela greve. Minutos depois Steve Ballmer veio em público dizer q a Microsoft tinha voltado atrás e q não negociaria com a faca no pescoço. Isso gerou uma grande insatisfação q só foi finalmente transpassada quando oficializaram para o mesmo dia um campeonato de videogame, agendaram uma realocação em busca de melhores condições de trabalho e por fim, financiaram uma viagem de quinta à domingo para Las Vegas.


Espera-se agora q com essas notícias os desenvolvedores se acalmem, e q o resto da população consiga passar uma Páscoa feliz com a família, sem a preocupação inerente de atrasos no lançamento de versões.



PS: Deixando claro q esse post é 100% fictício e eu tô avisando isso pra nao correr o risco de perder meu emprego.